domingo, 10 de julho de 2011

E não podia ser de outra forma.

Apaixono-me com uma facilidade… Não me apaixono porque pode ser, porque está bem então. Não. Apaixono-me porque não pode ser de outra forma, porque está tudo aflitivamente mal. Apaixono-me a voltagem máxima, no limiar do curto circuito. Apaixono-me facilmente. Digo, apaixono-me aflitivamente. Há esta urgência, em mim, de paixão. Não corro para o precipício, eu já lá moro. No limiar do terrestre e o volúvel. E há tantas coisas que me apaixonam… As histórias, as pessoas que as contam, os objectos que as guardam. Apaixona-me um livro, um poeta. Apaixona-me igualmente um ávido leigo, uma cadeira esculpida a suor e dedicação. Apaixona-me essa atenção. Apaixona-me a pressa das multidões e a acalmia de uma maré vaza. Apaixonam-me as contradições, porque me apaixona o Amor. Sou uma apaixonada. Fiel a nenhuma paixão, porque há esta urgência, em mim, de outra maior e mais capaz. Digo, leal a nenhuma, senão a uma - a tua.