quinta-feira, 26 de maio de 2011

O amor e a cegueira.

Acordava-te a meio da noite para te pedir que não me acordasses. Tinha sido um dia produtivo e queria poder dormir pela manhã, explicava-te. Como era má. Friorenta, cobria-me com os cobertores todos e pedia-te que me fosses buscar uma manta para os pés. Como era egoísta. Pela manhã servias-me o pequeno-almoço tardio à cama e aborrecias-me. Não tinha fome, tinha calor. Tantos cobertores, credo! E o meu credo sempre mau, sempre comodista. Sempre irreflectido, sempre mandatório. Abre as persianas porque já é tarde, não ligues as luzes que é de dia, não deixes o cão subir para o sofá. E eu amava o teu cão. Quando ele pôs o cone ao pescoço por se ter infectado no focinho, brincava que as palavras que lhe dirigia ecovam naquele plástico cilíndrico. Dizia "senta-a-a-a-a" e o cão sentava-se, ainda que confuso. Brincava com o teu cão, ainda que só nas vezes que tivesse certeza que não verias. Quando estivesses a abrir persianas da sala, a fechar a torneira da cozinha que deixei a pingar. Como era obstinada, como fui mimada. E tu achavas-me graça, tamanha graça vias em mim. Julgavas que eu montava o acto de ser mimalha e embirrenta. E eu era naturalmente mimalha e embirrenta. Se te acordava porque queria dormir ou porque o teu braço me fazia calor na cintura, não estava a encenar - queria mesmo que não te atrevesses a acordar-me, ou a continuar naquela posição em que me fazias transpirar. E acordava-te quando dormias, naquela posição sereno e apaixonado. E abrias os olhos desprevenidos, para me veres cheia de graça em birras de mimo. O amor é, sem sombra de dúvida, o antídoto da cenoura. E não podias ver o mal que te fazia porque me querias tanto bem. Achaste que isto do amor era coisa recíproca. Como foste ingénuo.

sábado, 14 de maio de 2011

Think pink.

Oysho, Summer is Colour, 2011.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Balada de Despedida de Ciências 95.


Adeus querida faculdade, como pudeste deixar-me partir?
A vida parece ruir, com a dor que deixa a saudade.