quarta-feira, 12 de maio de 2010

Pausa.

Fui mestra nas palavras. Ditei-te vidas profanas como se sílabas pessoas fossem. Soletrei o teu nome ao contrário, troquei-te as voltas. Fui mestra em deixar-te à nora, navio preso na tempestade solta. Fui tempestade solta, náufrago de ti.
Fui mestra no amor. Dei o seu nome a toda a gente e a todos lhe quis chamar. Rimei a vontade de o ter com a fome de o procurar. Só mais tarde percebi que sou poetisa por linhas tortas, versos que se quebram na minha língua cansada. Parágrafos interrompidos, amores perdidos. Talvez os tenha levado o mar. Aos amores, às palavras. Vou com a maré, muda e sempre mudando.
Fui mestra, hoje aprendiz.