Apaixono-me com uma facilidade… Não me apaixono porque pode ser, porque está bem então. Não. Apaixono-me porque não pode ser de outra forma, porque está tudo aflitivamente mal. Apaixono-me a voltagem máxima, no limiar do curto circuito. Apaixono-me facilmente. Digo, apaixono-me aflitivamente. Há esta urgência, em mim, de paixão. Não corro para o precipício, eu já lá moro. No limiar do terrestre e o volúvel. E há tantas coisas que me apaixonam… As histórias, as pessoas que as contam, os objectos que as guardam. Apaixona-me um livro, um poeta. Apaixona-me igualmente um ávido leigo, uma cadeira esculpida a suor e dedicação. Apaixona-me essa atenção. Apaixona-me a pressa das multidões e a acalmia de uma maré vaza. Apaixonam-me as contradições, porque me apaixona o Amor. Sou uma apaixonada. Fiel a nenhuma paixão, porque há esta urgência, em mim, de outra maior e mais capaz. Digo, leal a nenhuma, senão a uma - a tua.
Boca de lís
Domingo, 10 de Julho de 2011
Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
Amor mas.
Não sei porque me assusto - não é como se já não tivesse estado aqui antes. Mas reconheço os sinais - é a Hora.És novo nisto. Revejo-me na tua dor repentina que varre no peito e que te faz chorar quando a noite te esconde sozinho no quarto. Admiro-te as palavras de positivismo que tens quando o assunto vem à baila, porque não podia ser mais negativa quando o assunto, pairando, é o que vai ser de nós agora. E é novo para ti - não sabes, mas esperas. Anseias, nas insónias que a lua não mata enquanto te corrói a ti. E uma parte de ti, por muito pequena, pequeníssima, ínfima parte de ti, meu bem, resiste. Resiste porque tem esperança. Ah, essa bastarda! Vais esperar, vais esperançar que dê certo. Negas-te que é com essa esperança mísera que rezas os teus dias. Abençoas os meus. E quando der certo - porque há essa hipótese, mesmo que infinitesimal, certo? - vais berras "EU SABIA!". Mas não sabes, então esperas. És novo nisto. Nisto do Amor.
Reconheço-te as fantasias de quando me dizes que vou casar sim, só não sei que o quero ainda. Admiro-te a ousadia de quando acrescentas "E vai ser comigo!". Sorris um orgulho ingénuo de quem anseia, esperançado, que haja a ínfima hipótese de eu querer ser tua o resto da vida. Para depois poderes gritar do altar: "EU SABIA!".

Mas és novo nisto e não sabes. Novo nas despedidas, novo no amo-te-mas-tenho-de-ir. E depois? Depois a lua não corrói, despreza-nos. Deixa-nos a apodrecer na cama escura, o quarto aos soluços, porque tem mais corações por onde se entreter a corroer esperanças em pó. E o mundo pára, porque teve-de-ir. Sabes para onde, mas de pouco te adianta. Queres correr o mundo e seguir-lhe rasto. Mas ele já partiu. Foi-se. Puf. E porque és novo nisto, digo-te: não tenhas esperanças. Porque o Amor tem-nas, mas vêm de mão dada com as despedidas. Ah, essas bastardas! Vão-te fazer chorar esses bonitos olhos fora e hão-de matar as leis por que se regem os meus. As leis que escrevemos, em cinzas. Porque o Amor tem-de-ir. Puf. E eu sinto-o. Assusto-me, porque reconheço os sinais - é a Hora, meu amor. E eu... eu sei-o.
Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
Dia da Criança.
Hoje brindemos às crianças. À pequenada, aos pernas-curtas. Aos quatro-olhinhos, às trancinhas e às corridas. Aos espertalhões e aos sempre-em-pé. Aos arranhões nos joelhos e aos rebuçados. Brindemos às gargalhadas e aos choros por dá-cá-aquela-palha. Brindemos à inocência e à ingenuidade, porque as crianças ainda não conheceram outra coisa. Ainda não tiveram tempo para nada, só para comer e correr e rir. Um brinde ao tempo que não tiveram e um brinde ao tempo que ainda vão ter! Um brinde à possibilidade que a infância traz consigo. A sensação de que se pode ser tudo, de engenheiro a astronauta, e de cabeleireira a presidente, porque ainda não se é muito. E é-se uma benção tão grande.. Um brinde de todos os géneros às crianças de todas as formas e um beijo de todas as formas às crianças de todos os géneros. Brindemos à esperança que elas representam, porque a trazem consigo no seu puro coração. E o coração ainda por maturar, o coração em bruto. Que sejam felizes, meus seres em miniatura, porque só assim serão eternamente bons.
Quinta-feira, 26 de Maio de 2011
O amor e a cegueira.
Acordava-te a meio da noite para te pedir que não me acordasses. Tinha sido um dia produtivo e queria poder dormir pela manhã, explicava-te. Como era má. Friorenta, cobria-me com os cobertores todos e pedia-te que me fosses buscar uma manta para os pés. Como era egoísta. Pela manhã servias-me o pequeno-almoço tardio à cama e aborrecias-me. Não tinha fome, tinha calor. Tantos cobertores, credo! E o meu credo sempre mau, sempre comodista. Sempre irreflectido, sempre mandatório. Abre as persianas porque já é tarde, não ligues as luzes que é de dia, não deixes o cão subir para o sofá. E eu amava o teu cão. Quando ele pôs o cone ao pescoço por se ter infectado no focinho, brincava que as palavras que lhe dirigia ecovam naquele plástico cilíndrico. Dizia "senta-a-a-a-a" e o cão sentava-se, ainda que confuso. Brincava com o teu cão, ainda que só nas vezes que tivesse certeza que não verias. Quando estivesses a abrir persianas da sala, a fechar a torneira da cozinha que deixei a pingar. Como era obstinada, como fui mimada. E tu achavas-me graça, tamanha graça vias em mim. Julgavas que eu montava o acto de ser mimalha e embirrenta. E eu era naturalmente mimalha e embirrenta. Se te acordava porque queria dormir ou porque o teu braço me fazia calor na cintura, não estava a encenar - queria mesmo que não te atrevesses a acordar-me, ou a continuar naquela posição em que me fazias transpirar. E acordava-te quando dormias, naquela posição sereno e apaixonado. E abrias os olhos desprevenidos, para me veres cheia de graça em birras de mimo. O amor é, sem sombra de dúvida, o antídoto da cenoura. E não podias ver o mal que te fazia porque me querias tanto bem. Achaste que isto do amor era coisa recíproca. Como foste ingénuo.
Sábado, 14 de Maio de 2011
Terça-feira, 3 de Maio de 2011
Balada de Despedida de Ciências 95.
Adeus querida faculdade, como pudeste deixar-me partir?
A vida parece ruir, com a dor que deixa a saudade.
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